Bolsa Família x Construção Civil: disputa por trabalhadores
Redação Liga News
17 de set. de 2025
2 min de leitura
Benefícios sociais e informalidade desafiam a construção civil, que precisa formar 1,4 milhão de profissionais até 2027.
Foto: LigaNews.
O Brasil comemora desemprego em 5,8% e 1,52 milhão de novos postos de trabalho no ano. A construção civil, aliás, está entre os setores que mais contratam e até paga acima da média. Mas, mesmo assim, enfrenta um problema crônico: não consegue atrair gente suficiente para os canteiros de obra.
Cristiano Gregorius, do Sienge, explica em entrevista para a CNN: “há um descompasso entre o que o setor pede e o que os jovens querem para suas carreiras”. Traduzindo: enquanto o mercado busca esforço físico e rotina pesada, a nova geração busca flexibilidade e perspectiva de crescimento.
Bolsa Família no centro do debate 💰
Economistas apontam que a concorrência não é só entre construtoras — é também com o Bolsa Família. Segundo Daniel Duque, do FGV Ibre, muita gente prefere não assumir o risco de um trabalho instável e perder o benefício.“O medo de perder o certo pesa mais que a vontade de ganhar algo a mais”, resume.
Um dado chama atenção: em 12 estados do Norte e Nordeste, há mais famílias no Bolsa Família do que trabalhadores com carteira assinada. Já em Santa Catarina, para cada família beneficiada, existem 11 vínculos CLT. Contraste gritante.
Quem perde com isso?
A construção civil é uma das áreas mais afetadas. Jovens homens, perfil predominante do setor, são justamente os mais desestimulados a voltar ao mercado formal. Resultado: obras atrasam, empresas precisam importar mão de obra de outros estados e o déficit de profissionais cresce.
“Gangorra eleitoral” ou rede de proteção?
O empresário André Bahia não poupa críticas: diz que o programa foi “descalibrado” e virou ferramenta de política eleitoral, desestimulando a busca por emprego. Já Luiz França, da Abrainc, alerta que o avanço da informalidade também afasta o jovem da construção: “atrai, mas não protege”.
O remédio: flexibilização gradual
A solução defendida por parte do setor é um projeto de lei que permite ao beneficiário manter 100% do Bolsa Família no primeiro ano de emprego formal, reduzindo gradualmente nos anos seguintes até zerar no quinto. Assim, quem tentar a carteira assinada não ficaria desamparado caso perdesse o emprego.
Deputado Pauderney Avelino resume: “É uma forma de incentivar a formalização sem cortar a rede de segurança de imediato”.
O dilema 🤔
De um lado, milhões de famílias dependem do Bolsa Família. Do outro, a construção civil perde fôlego num momento em que o PIB do setor cresce e há 1,4 milhão de trabalhadores que precisam ser formados até 2027. A pergunta que fica: como equilibrar a proteção social sem travar a engrenagem que constrói o Brasil?