Tecnisa interrompe venda bilionária de terrenos no Jardim das Perdizes para a Cyrela
- Redação Liga News

- 14 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Custos ocultos, impostos e um terreno raro derrubaram a negociação entre Tecnisa e Cyrela.

A sexta-feira (14) começou com um movimento raro no setor: após meses de tratativas, a Tecnisa suspendeu a negociação para vender sete terrenos do Jardim das Perdizes para a Cyrela — um pacote capaz de gerar entre 8 e 10 torres e um VGV estimado em R$ 3,5 bilhões.
A decisão surpreendeu o mercado. Afinal, quem recusa meio bilhão de reais à vista?
👀 A resposta está nos detalhes — aqueles que não aparecem na maquete, mas fazem qualquer conselho frear com as duas mãos.
Quando a conta fecha… só que não
Segundo o CEO da Tecnisa, Fernando Tadeu Perez, em entrevista para a EXAME a negociação era “harmoniosa”. Mas harmonia não paga CAPEX.
E então começaram a aparecer os custos ocultos:
R$ 63 milhões em impostos só pela estrutura jurídica da transação;
Demolição do estande atual + construção de um novo → R$ 5 milhões;
Retirada do inquilino do restaurante no local → mais R$ 5 milhões;
Quitação antecipada de CRI atrelado ao terreno → R$ 30 milhões + R$ 3 milhões de multa.
Somando tudo: o “negócio de R$ 500 milhões” ficaria consideravelmente abaixo disso no caixa.
Jardim das Perdizes: um bairro planejado que virou ativo estratégico
O terreno não é qualquer terreno. É O terreno. O bairro planejado nasceu em 2011, a partir de uma gigantesca área da antiga Barra Funda. Na época, foi chamado de “o maior projeto imobiliário de São Paulo”.
Alguns fatos que explicam o apego:
250 mil m² de área total;
45% doado à Prefeitura para viário e áreas verdes;
30 torres previstas;
17 já entregues;
Cepacs comprados antecipadamente pela Tecnisa para garantir o potencial construtivo.
Hoje, restam 7 lotes que iriam para a Cyrela e 1 lote que sempre ficaria com a Tecnisa, onde será erguida uma torre comercial. Pra quem entende São Paulo, o recado é claro: não existe outro terreno igual.
Cepacs: o “ativo invisível” que virou dívida visível
A compra antecipada de Cepacs — necessária para construir todo o bairro — ajudou a viabilizar o megaempreendimento. Mas também aumentou a dívida corporativa da empresa.
Vender os lotes agora poderia acelerar o desaperto financeiro. Poderia. Mas, com o monte de custos extras, a lógica do negócio evaporou.
Porta fechada? Não exatamente.
A Tecnisa seguirá com lançamentos, pagará suas dívidas — “vai demorar mais, talvez três anos”, diz Perez — e não descarta novas conversas com outras incorporadoras.
E nem com a própria Cyrela. Desde que… o valor faça sentido.










