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Depois de duas décadas, SP libera trecho-chave do Rodoanel

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 19 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Após quase 13 anos de obras, paralisações e retomadas, o primeiro trecho do Rodoanel Norte é inaugurado e promete aliviar gargalos históricos da logística paulista — ainda que a conta tenha sido alta.


Depois de duas décadas, SP libera trecho-chave do Rodoanel
Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

O cenário de abandono, mato alto e rachas de moto ficou para trás. Após quase 13 anos desde o início das obras — e seis de paralisação total, o primeiro trecho do Rodoanel Norte de São Paulo finalmente tem data para sair do papel e entrar no GPS: segunda-feira (22).

Não é pouca coisa. É o tipo de obra que muita gente já tinha riscado da lista de promessas possíveis.


🛣️ 24 km que mudam o mapa da logística paulista

O novo trecho tem 24 km de extensão e conecta Fernão Dias e Presidente Dutra, além de fazer ligação com o trecho Leste (Ayrton Senna). Na prática, cria uma alternativa concreta para quem cruza (ou tenta evitar) a capital paulista.


A segunda etapa, até a rodovia dos Bandeirantes, segue em obras e tem entrega prevista apenas para o segundo semestre de 2026. Só então o anel viário iniciado no fim dos anos 1990 estará completo, com cerca de 176 km de extensão.


⏳ Pressa agora, atraso acumulado

Quem passou recentemente pelo local viu o corre-corre típico de véspera de inauguração: defensas sendo instaladas, asfalto limpo às pressas, sinalização ainda incompleta. Cerca de 6 mil trabalhadores atuam hoje no trecho no auge, foram 10 mil para deixar tudo pronto.


Até abril do ano passado, o cenário era outro: entulho, vegetação, animais e estruturas deterioradas. Um esqueleto de obra que virou símbolo do atraso.


Engenharia que precisou voltar no tempo

O trecho norte reúne 70 obras de arte especiais, entre pontes e viadutos. Muitas delas tiveram de ser recuperadas, não apenas concluídas. O pavimento foi totalmente refeito e partes do projeto original precisaram ser modernizadas para atender às normas atuais — de barreiras de proteção a sistemas de túneis.


Segundo a concessionária, reaproveitar estruturas abandonadas é mais complexo do que construir do zero. A engenharia teve que primeiro diagnosticar o que ainda podia ser salvo.


💰 Conta pesada e dividida

O custo total do trecho chega a R$ 3,4 bilhões, sendo R$ 1,35 bilhão em recursos públicos e cerca de R$ 2 bilhões aportados pela Via Appia, que venceu a concessão em 2023 e vai operar o trecho por 30 anos.


Haverá pedágio no sistema free flow, em Guarulhos. O valor ainda não foi divulgado, mas só os quatro pórticos de cobrança custaram R$ 24 milhões.


🚛 Caminhões agradecem (e muito)

A expectativa é de 54 mil veículos por dia, sendo 60% pesados. Para o transporte de cargas, o trecho surge como uma rota estratégica para acessar o porto de Santos e fugir dos gargalos históricos da marginal Tietê.


Fernão Dias e Dutra despejam tráfego no mesmo ponto da cidade há décadas. O resultado sempre foi o mesmo: tempo perdido, custo elevado e risco urbano.


🔒 Rodovia sem saída (por enquanto)

Classificado como rodovia classe 0, o trecho não terá acessos intermediários. Quem entra pela Dutra só sai na Fernão Dias — e vice-versa — até que o restante da obra fique pronto.


Há previsão futura de acesso ao aeroporto de Guarulhos, mas sem prazo definido. Promessa ainda na fila.


🕰️ Uma obra que virou símbolo do atraso

Iniciado em 2013, o trecho foi paralisado em 2018. Orçado inicialmente em R$ 4,3 bilhões, já havia consumido R$ 6,85 bilhões até 2019 e entrou no radar de investigações por suspeitas de superfaturamento.


Empreiteiras envolvidas quebraram, entraram em recuperação judicial e foram declaradas inidôneas após a Lava Jato. O projeto ficou congelado — até ser retomado em 2024.


🚦 Entrega tardia, impacto real

O governador Tarcísio de Freitas resume o sentimento: “muitos já não acreditavam que fosse possível concluir”. Agora, ao menos uma parte do Rodoanel deixa de ser lenda urbana e passa a existir.


Demorou. Custou caro. Mas, para a logística paulista, finalmente começou a fazer sentido.

 
 
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