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R$ 7 bi em jogo: o império Camargo Corrêa tenta recomeçar do zero

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 20 de out. de 2025
  • 3 min de leitura
Após a aprovação do plano de recuperação judicial, a Mover (ex-Camargo Corrêa) inicia um desmonte bilionário para reduzir dívidas e tenta renascer com a HM Engenharia como seu principal ativo.

R$ 7 bi em jogo: o império Camargo Corrêa tenta recomeçar do zero

Dois movimentos bilionários prometem virar a página de uma das histórias mais emblemáticas da engenharia brasileira. Após a aprovação do plano de recuperação judicial da Mover (ex-Camargo Corrêa) e da InterCement, o grupo começa a desmontar seu antigo império — e tenta renascer em meio a uma dívida de R$ 13 bilhões.

💵 A conta é pesada: as duas vendas previstas — da participação de 14,86% na Motiva (ex-CCR) e do controle da cimenteira argentina Loma Negra — devem render pelo menos R$ 7 bilhões. Dinheiro que vai direto para abater a montanha de débitos deixada para trás.

🏗️ Mover vende o que sobrou

De sócia da CCR a “vendedora de ativos”. O primeiro negócio a sair do papel é a venda da fatia da Mover na Motiva, avaliada em R$ 4,2 bilhões. O processo, previsto para novembro, será conduzido com o Bradesco BBI, principal credor da holding da família Camargo. A meta? Quitar uma dívida de R$ 3,3 bilhões com o banco.

Mas há um detalhe importante: Mover faz parte do bloco de controle da Motiva — e os demais sócios (Votorantim, Itaúsa e Soares Penido) têm direito de preferência. Se o valor for atrativo, a disputa promete ser boa.

No fim, R$ 500 milhões devem sobrar no caixa da Mover — uma gota, mas que garante fôlego a uma empresa que já foi símbolo de poder no setor de infraestrutura.

🧱 Loma Negra: a joia argentina que vai à venda

Enquanto a fatia na Motiva é o primeiro passo, o segundo é mais complexo — e bem mais internacional. A Loma Negra, cimenteira que domina quase metade do mercado argentino, será colocada à venda até o 1º trimestre de 2026. A operação envolve homologações no Brasil, EUA, Holanda e Espanha.

🎯 O valor mínimo esperado é de US$ 500 milhões (R$ 2,75 bi), mas os novos controladores — o empresário argentino Marcelo Mindlin, um grupo de bondholders e o Bradesco — esperam faturar bem mais, apostando na recuperação da economia argentina.

A participação de 52,14% equivale hoje a cerca de R$ 2,6 bilhões na Bolsa de Nova York. Mas, se o mercado argentino reagir, o cheque pode ser bem maior.

⚖️ Recuperação judicial de alto risco

Embates, bancos em retirada e 10 meses de tensão. Tudo começou em dezembro de 2024, quando a Mover e a InterCement pediram recuperação judicial após o fracasso das negociações de venda para a CSN. A dívida total? R$ 13,7 bilhões.

Nos bastidores, o clima foi tenso. O Bradesco BBI processou a Mover. Os bondholders processaram a cimenteira na Holanda. E os bancos Itaú e Banco do Brasil, cansados das indefinições, venderam seus créditos com deságio alto.

Foi só quando Mindlin e os novos credores internacionais entraram no jogo que o cenário começou a mudar. As tratativas avançaram — e, em outubro, o plano de recuperação foi aprovado com 99% de votos favoráveis.

📈 Dívida menor, caixa mais alto

Com o acordo fechado, a InterCement ficou com caixa de R$ 2 bilhões e um endividamento muito mais controlado. Parte desse valor veio da venda das operações na África (Egito, África do Sul e Moçambique).

Os credores agora assumem o comando da empresa — e o plano é vender a InterCement Brasil (ICB) nos próximos 2 a 3 anos. A unidade opera 15 fábricas e é a terceira maior produtora de cimento do país.

🏠 Um império reduzido à HM Engenharia

No fim das contas, a Mover vai continuar existindo — mas bem menor. Seu único ativo operacional relevante será a HM Engenharia, incorporadora voltada à baixa renda, com receita anual de R$ 450 milhões.

O novo papel da holding será gerir ativos e passivos remanescentes — incluindo a construtora, o Estaleiro Atlântico Sul e até uma fazenda de gado nelore em Mato Grosso do Sul.

🔚 Da engenharia à gestão de sobrevivência

De conglomerado com presença global a uma empresa que sobrevive vendendo ativos e pagando dívidas, o grupo fundado por Sebastião Camargo parece encerrar um ciclo.

A diferença agora é que o jogo não é mais sobre construir pontes ou barragens — é sobre reconstruir credibilidade.
 
 
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