Tenda bate recorde histórico e prepara ofensiva de lançamentos
- Redação Liga News

- 10 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Com R$ 1,1 bi em receita e novo ritmo de lançamentos, a Tenda vive o auge da sua operação, mas a Alea ainda desafia o balanço com prejuízo e ajustes operacionais.

Impulsionada por uma conjuntura quase de manual (inflação controlada, desemprego baixo e renda em alta), a Tenda entregou mais um trimestre de recordes. E desta vez, os números falam alto: R$ 1,1 bilhão de receita líquida, o maior valor da história da companhia. O avanço foi de 24,5% frente ao 3º tri de 2023, em linha com o que esperava o mercado.
O EBITDA ajustado também brilhou: subiu 24% na comparação anual, alcançando R$ 187 milhões, outro recorde histórico.
“O Minha Casa Minha Vida está indo muito bem, e os programas estaduais também têm ajudado,” explicou Luiz Mauricio Garcia, CFO da companhia, ao Metro Quadrado.
💰 Lucro em alta no ano, mas com um “efeito swap” no meio do caminho
O lucro líquido ficou em R$ 111,7 milhões, alta expressiva de 46,6% em relação ao mesmo período de 2023, mas uma queda de 45,2% ante o trimestre anterior.
O motivo? Uma comparação ingrata. No 2º tri, a Tenda teve um ganho financeiro atípico por causa de operações de swap envolvendo suas próprias ações.
Com R$ 401 milhões acumulados em nove meses, a empresa já encostou na meta anual (de R$ 360 a R$ 400 milhões). Ajustando o efeito dos swaps, o número cai para R$ 254 milhões, mas o CFO garante: “A tendência atual já nos coloca no piso do guidance.”
🏗️ Acelerando o jogo: lançamentos vão a R$ 1,5 bi e nova praça no radar
No campo operacional, a Tenda lançou R$ 1,5 bilhão neste trimestre e quer pisar fundo no acelerador. A meta? Fechar o ano com R$ 6 bilhões em lançamentos: o que exige um VGV de cerca de R$ 2,4 bilhões no quarto tri.
As novas frentes incluem João Pessoa (PB), estreia da companhia no estado, e a retomada de Curitiba, que volta ao mapa após quatro anos fora.
O motivo? A readequação do plano diretor da capital paranaense, que agora facilita habitação popular nas áreas centrais. Segundo o CFO, isso abre espaço para projetos mais bem localizados e rentáveis: uma equação rara no segmento econômico.
💸 Geração de caixa em vista — mas com a Alea ainda no vermelho
No 3º tri, a companhia gerou R$ 77 milhões em caixa, mesmo com recompras de ações e aumento de capital na Alea, seu braço de casas pré-moldadas. Garcia vê uma “tendência de melhora até o ano que vem”, ainda que a volatilidade de entregas e lançamentos pese no curto prazo.
Mas é justamente a Alea que continua sendo a pedra no sapato. O prejuízo foi de R$ 34,8 milhões, e o breakeven, antes previsto para 2026, foi adiado para 2027.
Após expandir demais e rápido demais, a Tenda decidiu concentrar fogo: agora foca em três regiões de SP e aposta na verticalização da operação. Mesmo assim, parte das obras em curso ainda depende de modelos terceirizados, o que adia o equilíbrio.
🧩 No balanço final: eficiência, foco e o desafio da disciplina
Com os resultados em alta e os lançamentos acelerando, a Tenda mostra que aprendeu a dosar ambição com pragmatismo. Mas a Alea ainda exige paciência — e, como se sabe, o mercado costuma ter pouca.
Se a geração de caixa vier na velocidade esperada, 2025 pode marcar a virada definitiva da companhia. Por enquanto, o cenário é de sol forte com nuvens no horizonte.










