Projeto de R$ 10 bi da ponte Salvador-Itaparica sai do papel com China na obra
- Redação Liga News

- há 24 horas
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Com R$ 10 bilhões em investimento e cerca de 60% de recursos públicos, projeto da ponte Salvador-Itaparica avança com participação chinesa, promessa de transformação econômica e questionamentos sobre execução e impacto social.

Foram quase duas décadas de promessa.
Agora, a ponte Salvador–Itaparica finalmente começa a sair do papel, com obras previstas para julho, segundo o Valor Econômico.
São 12,4 km sobre o mar. A maior da América Latina nesse formato.
Ambiciosa? Sem dúvida.Consensual? Nem de longe.
💰 R$ 10 bilhões, China na obra e dinheiro público no centro
O projeto, estimado em R$ 10 bilhões, será executado por duas gigantes chinesas:
👉 China Railway 20th Bureau Group
👉 China Communications Construction Company
Com financiamento estruturado por:
👉 BNDES
👉 Banco do Nordeste do Brasil
E um dado-chave: quase 60% dos recursos virão do setor público.
PPP, na teoria. Peso público, na prática.
🏗️ A promessa: integrar, crescer e transformar
O discurso oficial é direto. Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia, afirma: “Queremos ampliar a integração territorial, melhorar a logística e abrir um novo eixo de dinamização econômica.”
Já Lu Guannan, CEO da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, projeta: “Cerca de 250 municípios e 10 milhões de baianos serão beneficiados.”
Além disso:
👉 7 mil empregos durante a obra
👉 28 mil veículos/dia no início da operação
A escala impressiona.Mas não encerra o debate.
⚙️ Engenharia financeira: risco controlado… até quando?
O modelo será de project finance, com 35 anos de concessão.
Segundo Lu Guannan, CEO da Concessionária Ponte Salvador-Itaparica, parte do capital vem dos acionistas, o restante será diluído via financiamento.
Tradução: o projeto é viável, desde que o equilíbrio se sustente.
🧠 “Maior obra desde Itaipu” e tecnicamente mais simples?
Para Daniel Véras Ribeiro, engenheiro civil e professor da Escola Politécnica da UFBA, que participou dos estudos: “É a maior obra no Brasil desde Itaipu.”
Mas com uma ressalva interessante: “Será mais fácil de construir hoje, por conta das novas tecnologias.”
Grande? Sim.
Impossível? Não mais.
⚖️ Nem todo mundo está convencido
A crítica vem da academia e é direta. João Pena, professor de urbanismo da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), afirma: “É um equívoco. Não houve planejamento adequado nem consulta à população.”
E vai além:
👉 risco de valorização imobiliária
👉 possível expulsão de moradores
Já Paulo Ormindo de Azevedo, professor aposentado de arquitetura da UFBA, propõe outra visão: “Um porto hub seria mais estratégico.”
Infraestrutura, aqui, vira disputa de modelo de desenvolvimento.
🎯 A leitura final
A ponte saiu do campo da ideia. Agora entra no teste mais difícil:
👉 execução
👉 custo
👉 impacto real
Entre promessas e críticas, uma coisa é certa: essa obra não conecta só Salvador a Itaparica conecta interesses, visões e apostas de longo prazo.











