Novo modelo de crédito pode liberar R$ 200 bi em financiamentos imobiliários
Redação Liga News
8 de ago. de 2025
2 min de leitura
Proposta em estudo pelo governo quer dobrar o volume de crédito habitacional com juros controlados e menos dependência da poupança.
Imagem: iStock.
A poupança, que por décadas sustentou o crédito habitacional no Brasil, já não tem o mesmo fôlego. O saldo da caderneta encolheu, e o sistema atual, em que os bancos devem usar 65% desses recursos em financiamentos, começa a ficar apertado. Com a inadimplência em queda, mas os juros ainda altos, o modelo pede oxigênio.
A proposta muda o jogo: toda vez que um banco liberar um financiamento imobiliário, ele terá acesso ao mesmo valor da poupança para usar como quiser — por cinco anos. Isso mesmo: um tipo de “cashback de crédito”.
A lógica? O banco empresta R$ 1 milhão pra casa própria. Em troca, pode usar mais R$ 1 milhão em outras operações (como crédito pessoal, cheque especial, LCI...). Depois de cinco anos, precisa emprestar de novo no imobiliário se quiser renovar o bônus.
💰 De R$ 90 bi pra R$ 200 bi: mais crédito ou só projeção?
Simulações internas do governo estimam que, com o novo modelo, os bancos possam originar até R$ 200 bilhões em crédito imobiliário nos próximos dois anos: mais que o dobro dos R$ 90 bilhões esperados pelo sistema atual.
Mas calma: isso não quer dizer que esse crédito vai se materializar. O apetite dos bancos vai depender do risco, da rentabilidade e, claro, do comportamento dos juros.
📅 Quando tudo isso entra em vigor?
A minuta da proposta deve ser enviada ao setor ainda em agosto, com publicação oficial até setembro. Mas o novo modelo só começa a valer no primeiro trimestre de 2026.
É um prazo pensado para dar tempo aos bancos de se ajustarem: e também para a transição dos atuais contratos da poupança.
📊 IPCA na mira: e os contratos indexados?
Outro ponto em paralelo: o governo também quer suavizar os impactos da inflação nos contratos atrelados ao IPCA. A ideia é incluir um adicional de amortização a cada parcela, que funcione como colchão caso a inflação dispare.
Ou seja: a mudança não é só na origem do crédito, mas também na segurança de quem vai pagá-lo.
📌 No fim das contas…
Com essa virada no crédito imobiliário, o governo quer garantir mais acesso à casa própria sem sacrificar o bolso do brasileiro. Mas o sucesso da proposta vai depender de um tripé delicado: apetite dos bancos, controle da inflação e disciplina do mercado.
Será que vai dar certo? O mercado vai responder a partir de 2026.