Raphael Horn, da Cyrela, diz que mercado de alto padrão “separou amadores dos profissionais”
- Redação Liga News

- há 4 horas
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Cyrela reduz ritmo de expansão, aumenta seletividade em terrenos e vê mercado de médio e alto padrão mais técnico e desafiador em 2026.

“Antes era Suíça. Agora é challenger.”
Foi assim que Raphael Horn, co-CEO da Cyrela, definiu o mercado de médio e alto padrão em São Paulo.
A frase resume bem o momento: o jogo mudou. E ficou mais difícil para quem não sabe jogar.
📉 O mercado esfriou… mas não morreu
Segundo Horn, o ritmo de vendas observado até 2024 ficou para trás.
Na visão do executivo, os juros altos finalmente começaram a pesar mais no bolso do comprador de média e alta renda — e o cenário agora separa “amadores” de “profissionais”.
“A gente estava na Suíça. Agora, para quem estiver pensando em montar incorporadora de médio e alto padrão, eu diria que é um momento difícil para começar”, afirmou.
Traduzindo: demanda ainda existe. Mas margem para erro, não.
📊 Resultado mais fraco acendeu o sinal amarelo
O mercado já começou a sentir isso nos números da própria Cyrela. No 1T26:
👉 lucro líquido caiu 9%
👉 receitas desaceleraram
👉 velocidade de vendas caiu de 52,6% para 45,8%
👉 estoque subiu 22%, chegando a R$ 11,3 bilhões
BTG Pactual e Itaú BBA classificaram o resultado como “fraco”.
E tem outro detalhe importante: o ciclo das obras da marca Cyrela saiu de 36 para quase 48 meses entre lançamento e entrega.
Mais tempo. Mais capital parado. Mais risco.
🧠 “Dizer não” virou estratégia
A resposta da Cyrela foi desacelerar.
Depois de lançar R$ 12,9 bilhões em 2025, a companhia espera um volume ligeiramente menor em 2026.
Segundo Raphael Horn, co-CEO da Cyrela, a empresa elevou a exigência para aprovar terrenos e passou a recusar mais oportunidades.
Num mercado mais seletivo…crescer menos pode ser justamente o que protege margem.
💰 E o INCC? Curiosamente, pode ajudar
Enquanto parte do setor teme a inflação da construção, Miguel Mickelberg, CFO da Cyrela, vê um efeito diferente para a operação de média e alta renda.
A lógica é financeira:
👉 R$ 10,8 bilhões em recebíveis corrigidos pelo INCC
👉 contra R$ 8,2 bilhões em custos de obra a executar
Segundo o executivo, isso ajuda a proteger as margens da companhia.
“Nosso ano de maior margem bruta foi justamente quando tivemos um INCC bastante elevado”, afirmou.
Nem toda inflação pesa igual para todo mundo.
🎯 A leitura final
O mercado de médio e alto padrão continua funcionando.
Mas o ambiente ficou mais técnico, mais seletivo e muito menos tolerante a erro.
A fala da Cyrela deixa um recado importante: em um setor pressionado por juros, prazo e custo…sobreviver virou menos sobre crescer rápido (e mais sobre executar melhor).
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Com informações e entrevistas do Metro Quadrado.











