O condomínio que comprou uma casa... só pra impedir outro prédio
- Redação Liga News

- 12 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
O episódio do Altto Vila Madalena mostra como moradores agora usam o próprio capital para frear a expansão urbana — mesmo quando seus prédios foram alvo de protesto anos antes.

🏘️ Na Vila Madalena, bairro nobre de São Paulo, o "Not In My Backyard" ganhou uma nova versão: não no meu quintal — e nem no da casa ao lado.
Moradores do condomínio de alto padrão Altto Vila Madalena se reuniram e compraram uma casa vizinha por quase R$ 2 milhões. Motivo? Impedir que uma nova torre fosse construída na mesma rua.
Cada condômino desembolsou cerca de R$ 40 mil para evitar que o prédio perdesse a vista (e valor) — e, por tabela, para frear a verticalização do próprio bairro.
🚧 A lógica por trás do movimento
Segundo relatos, já circulavam rumores de que casas da região estavam sendo compradas em bloco por incorporadoras. O Altto, então, decidiu atacar na origem: comprou "a casa do meio", o tipo de lote que costuma inviabilizar fusões fundiárias e novos projetos verticais.
“Ninguém quer perder a vista do apartamento por causa de mais um prédio. Todo mundo quer morar no ‘último prédio alto da rua’,” disse um dos moradores ao portal Metro Quadrado.
A ideia é transformar a casa em uma área de lazer externa — e, claro, manter o skyline como está.
🧱 Ironia no concreto
O curioso? Esse mesmo condomínio foi o alvo da revolta dos vizinhos há pouco mais de uma década.
Em 2013, duas associações de moradores entraram na Justiça para barrar a construção do Altto, alegando violação ao Plano Diretor. O Tribunal de Justiça chegou a suspender a obra. Mas a liminar foi derrubada e a Even (incorporadora) seguiu com o projeto.
Ou seja: o prédio que virou símbolo da ruptura... hoje luta para manter tudo como está.
🌇 O que isso revela sobre o mercado?
Mais do que uma disputa local, o episódio expõe:
A escassez de terrenos em bairros centrais de SP
As barreiras invisíveis que limitam novos projetos
A força da resistência silenciosa (e bilionária) ao adensamento










