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Construção civil recorre a imigrantes para suprir vagas

  • Foto do escritor: Redação Liga News
    Redação Liga News
  • 3 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

A escassez de mão de obra e o desinteresse dos jovens abrem espaço para um movimento migratório que redefine a construção civil e expõe um futuro que ninguém está debatendo.


Construção civil recorre a imigrantes para suprir vagas

A construção civil brasileira vive um paradoxo curioso. Enquanto obras voltam a crescer, faltam pessoas para trabalhar nelas. Os jovens brasileiros, cada vez mais escolarizados, estão mirando funções menos braçais — e, convenhamos, mais alinhadas ao sonho de “trabalhar com o celular na mão”.

Resultado? Os canteiros estão se tornando o que os EUA já são há décadas: territórios multiculturais.


🌍 Quando a fronteira vira um canteiro

O movimento ganhou força conforme mais estrangeiros chegaram ao Brasil em busca de renda, estabilidade e… porta de entrada para o mercado formal. E poucas portas são tão rápidas quanto a da construção civil.


“De uns dois anos para cá o número de imigrantes nos canteiros tem aumentado muito. É perceptível”, diz Yorki Estefan, presidente do Sinduscon-SP.


📊 O dado que não dá para ignorar

Nos últimos cinco anos, o total de estrangeiros empregados no Brasil mais que dobrou: 182.995 → 396.660 trabalhadores. E só na construção civil?


  • 2020: 11.328 estrangeiros

  • 2025: 26.591

  • Crescimento de 135%


É quase como se um novo “Nordeste migrante”, versão 2025, estivesse surgindo — só que agora vindo da Venezuela, Haiti e outros 11 países.


Venezuela e Haiti puxam a fila

Se tem uma nacionalidade que redefiniu os canteiros, foi a venezuelana: 2,5 mil trabalhadores (2020) → mais de 14 mil (2025). Um salto de quase seis vezes.


Os haitianos seguem relevantes: de 5,8 mil em 2020 para cerca de 4,4 mil em 2025. Por quê? Segundo Yorki: “Eles têm outra relação com a oportunidade; sofreram mais, tiveram que sair do próprio país. Dá para ver a vontade.”


A construção civil virou, para muitos, recomeço e redenção.


📱 Apps, Bolsa Família e o novo “não quero ser pedreiro”

Sim, há falta de mão de obra.Mas ela não vem só da escolarização.


  • Uber e iFood oferecem autonomia e renda imediata.

  • O Bolsa Família reajustado alterou a dinâmica de trabalho em regiões pobres.


E o velho mantra se confirma: “Os filhos dos pedreiros não querem virar pedreiros.”


Enquanto isso, as obras continuam e precisam de gente. Alguém vai ocupar esse espaço. E já está ocupando.


🏗️ O Brasil repete sua história migratória — só muda o passaporte

O movimento lembra aquele fluxo histórico do século 20, quando nordestinos migravam sozinhos, se estabeleciam, e depois traziam a família. Hoje, a jornada é parecida. Apenas é narrada em espanhol, crioulo, francês, árabe, lingala…


É uma nova demografia de obra — e ela está só começando.


🤝 Tenda e a nova política de acolhimento

Algumas construtoras já entenderam o recado e criaram caminhos formais. A Tenda é o exemplo mais visível.


Desde 2021, a empresa toca um programa de capacitação para imigrantes. Resultado hoje:


  • 500+ imigrantes contratados

  • 17% da força total de obra da companhia

  • 13 nacionalidades

  • 7 estados atendidos

  • Foco em funções de entrada e qualificação rápida


E, no fim das contas, é isso: a construção civil segue sendo o setor que mais acolhe, emprega, integra e recomeça histórias no Brasil.

 
 
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